Câncer de Mama: Por que identificar o Linfonodo Sentinela?

O Linfonodo Sentinela é o primeiro a receber a drenagem linfática e somente depois de passar por ele que os outros gânglios regionais seriam alcançados.

O Linfonodo Sentinela é o primeiro a receber a drenagem linfática e somente depois de passar por ele que os outros gânglios regionais seriam alcançados.

O câncer de mama é em nosso país o que mais causa mortes entre as mulheres e a sua incidência tem aumentado progressivamente nas ultimas décadas.
Sabe-se que a presença de metástases nos linfonodos axilares é um dos fatores mais importantes na avaliação dos pacientes com câncer de mama, pois se relaciona diretamente com o prognóstico, além de selecionar pacientes para tratamentos específicos como hormonioterapia, radioterapia e/ou quimioterapia adjuvante, possibilitando maior chance de cura da doença.

Desta forma a avaliação do comprometimento axilar ou não pelo câncer, se faz obrigatória em todos os pacientes, para decisão do melhor tratamento a ser seguido.

Até poucos anos atras, esta avaliação era feita exclusivamente através do esvaziamento axilar convencional (retirada cirúrgica da grande maioria dos linfonodos e estudo anatomopatológico dos mesmos), com uma incidência não desprezível de efeitos indesejáveis como dor, edema (inchaço) e limitação dos movimentos do membro operado. E de fato, não é difícil conhecermos alguém que tenha sido operado para o tratamento do câncer de mama e que apresente algum destes sintomas.

A abordagem cirúrgica dos pacientes com câncer de mama tem passado por uma grande transformação na última década, com o advento da Biópsia do Linfonodo sentinela (BLS), que já é considerada por muitos como padrão no tratamento da maioria dos casos de câncer de mama.

Esta técnica se baseia no conceito do Linfonodo Sentinela (LS), que seria o primeiro a receber a drenagem linfática de uma área específica da mama, e somente depois de passar pelo LS é que outros gânglios regionais seriam alcançados, desta forma se identificarmos e retirarmos cirurgicamente este linfonodo, o que é feito através da BLS, a sua avaliação histopatológica refletirá o estado dos demais linfonodos na grande maioria dos casos, possibilitando o esvaziamento axilar convencional em pacientes selecionados (LS positivo para câncer de mama).

O LS é identificado através da utilização de material radioativo (Radiofármaco), injetado na mama e que se concentra preferencialmente neste linfonodo, sendo feitas marcações na pele ainda na clínica de Medicina Nuclear, para facilitar a localização do mesmo no ato cirúrgico, quer seja com a utilização do “Gama-probe” (aparelho capaz de detectar pequenas quantidades de radiação) e/ou do corante azul patente. Depois de identificado o LS é retirado e encaminhado para avaliação histopatológica (BLS).

Este procedimento multidisciplinar envolve uma equipe constituída pelo cirurgião, pelo patologista e pelo médico nuclear, já estando disponível em nossa capital.

Texto elaborado pelo Dr. Waldyr Liberato Jr, médico do grupo IMN-Cuiabá